
Inspirada nos desabaphos da minha querida colega blogueira Luh Testoni, no blog “Primeira à esquerda“, eu também vou começar a desabaphar por aqui (sim, admito: as vezes preciso da palavra desabapho em vez de bapho!)
Este é um cantinho onde podemos informar, mas também comentar sobre tudo pertinente ao mundo da moda, sobretudo o blogueiro. Minha amiga, Luh, usou seu espaço na blogsfera para falar do mau uso dos blogs. Pegando esse gancho, eu quero falar sobre a falta de personalidade que anda assolando os textos de algumas blogueiras, inclusive super famosas. Não sou melhor do que ninguém, não quero espantar leitoras, muito menos ser arrogante, mas preciso desentalar algo que vem “do fundo do meu âmago”, sabe?
Hoje eu eu estava vendo os blogs alheios e percebi que virou moda as meninas escreverem frases como: ” TODA MULHER…” E é sobre isso que eu preciso soltar o verbo. Olha, sem exagero, só hoje eu achei uns dez blogs onde pelo menos uma a cada 5 postagens tinham o termo “Toda mulher é/ precisa/ quer”. Um de uma moça que tem um foco teen dizia: Dez a cada dez mulheres gostam de tal coisa… outro de uma construtora dizia o closet que TODA mulher quer…
Gente, dá pra ficar fora dos clichês em qualquer que seja a profissão que exercemos.
Será mesmo que TODA mulher é igual? Afinal o que é moda? Um conceito que define que tudo que os outros usam nós devemos usar? Aos olhos de quem consegue vê-la como uma expressão artística, não é nada disso. Moda é um conjunto de fatores e valores que sociabiliza pessoas, forma profissionais, gera economia, faz design em forma de roupas. E, acima de tudo, que te dá a liberdade de ser você mesma, usando os artifícios (ou não) das tendências em prol do seu corpo/ sua vida.
Na minha vida, no alto dos meus 30 e plocs anos eu percebi que o que é brega para você pode não ser para Lagerfeld. Para afirmar que toda mulher é alguma coisa, você tem que ser uma pessoa pouco observadora. Perceba todas ao seu redor, vejam como cada uma tem suas particularidades, seu jeito, seu modo de usar. (Daí surgiu o trocadilho moda de usar, sacou? kkk)
Bem como os homens, também acho meio insuportável-super- estressante os bloguezinhos testosteronas e as revistas masculinas da vida que insistem em educar homens a serem ogros e a não se interessarem por moda (aquela coisa chata e até meio homofóbica: ousou no figurino é gay), ou gostar de um shopping. No fundo, (jamais generalizo), muitos AMAM compras. A fama de comprar, gastar é só nossa. A fama de bancar é deles. Tá, a fama de gastar mais, menos mal, mas não gosto dessa ideia de sermos sempre “as bancadas” e com menos potencial aquisitivo e inteligente que a mídia adora difundir. Mas tudo bem, esse assunto rende um futuro comentário, não vamos sair do foco.
Nestes quase dois anos de profissão repórter blogueira, formamos um grupinho de leitoras que se identificam com nosso estilo justamente por não termos mania de impor nada. Nossa pretensão é informar, opinar, comentar, deixar o pensamento ser livre e não determinar.
Já até pensei o seguinte: será que teríamos mais comentários e mais leitoras se fôssemos mais um blog a dizer o que TODA mulher gosta e quer? Pode até ser. Mas não tenho foco no senso comum e não costumo escrever o que não acredito por money. Tenho muita esperança em ver as mulheres entendendo que moda é abrangente e tão democrática que pode até ser, também, não estar na moda. (Tá, vocês acham que exagerei e que sou aloka, filosófica? Sorry, mas é só olhar para a estética Lady Gaga e entender o que estou falando).
Na verdade, não posso também chegar aqui, enfiar todos os blogs no mesmo saco e querer sair como a diferente… não é isso. Tem altos blogs que eu super admiro e muitos têm o que eu considero primordial em um blog: autenticidade.
Toda mulher é somente mulher. Não se comporta ou se veste igual, não tem os mesmos desejos ou anseios. É tudo conto de fadas dizer que somos frágeis e que TPM nos diferencia do homem. (Eu por exemplo, não sei o que é isso, para as que sabem, eles também tem seus dias de terror). E mais: eles têm seus momentos consumistas.
Um dia vi um texto onde dizia que nossa predileção por shopping era fator genético e blá blá blá. Sabe, preciso dizer para vocês que eu AMO moda. Mas conheço uma mulher cheia da grana que só usa roupas que eu jamais usaria. É o jeito dela! Gosto e a admiro, mesmo assim. Conheço outra doutora, cheia de títulos que raramente entra numa loja. Conheço outras de diversas tribos e profissões que amam se encontrar só para papear e outras que fazem parte do mesmo grupo que eu: mulheres que amam moda demais. Mas reparem entre elas: nada em comum a não ser o fato de serem mulheres.
Cafonisse é tão relativo… não é doença contagiosa e não é defeito imperdoável. Posso me arriscar a dizer que moda é, também, ver o que está fora da moda voltar de tempos em tempos. Ver gente ryca de calça falsificada do camelô. Ver gente pobre juntar todo seu dinheiro para comprar uma legítima peça Prada. Portanto, não se iluda, guarde seus preconceitos ( se os tiver) e admita que nossa cultura é, por muitas vezes, ditatorial, principalmente em um quesito: ser mulher. Nós, formadores de opinião; jornalistas, blogueiros, publicitários e afins podemos ser menos presos à mesmice e tentar fazer diferente. É preciso criatividade, mas quem ama seu blog de verdade, pode começar a pensar nessa responsabilidade.
Gosto da diversidade, sabe? Gosto da coisa da revolução que Madame Chanel causou nas mulheres, apesar de discordar que toda mulher, para ser feliz, precisa de um pretinho básico e um homem que a ame. (Até duvido que essa frase seja dela no meio de tantas outras tão lindas).
Toda mulher precisa mesmo é de escolhas. Novos horizontes, conquistas, caminhos. Assisti por acaso esse fim de semana o filme: “Comer, rezar e amar”. (Tudo bem, uma crítica da revista Época diz que o filme tem uns clichêzinhos sobre os países… tá, não quero entrar na questão dos clichês de uma forma geral, mas somente sobre um que especialmente me incomoda: “Toda mulher…”). A personagem me encantou. Forte e determinada, ela é uma mulher que demonstra não acreditar que toda mulher deve… sei lá o quê.
Particularmente, acho que a roupa que nós usamos pode mostrar o que é mais importante: nossa personalidade. É dessa moda que eu gosto. O que me fascina é o diferente, que é bonito para umas e feio para outras pessoas. Por isso, todo esse amor pelo mundo fashion: o mutável, dinâmico, o que vem às passarelas a cada estação e o que cada mulher vai aderir (ou não). Na minha opinião seria entediante se só o rosa estivesse na moda ou se não existisse algo para apimentar a embalagem do nosso corpo.
Termino esse desabapho dizendo que sejamos pessoas, antes de sermos mulheres ou acreditarmos na lenda dos hormônios que determinam nosso comportamento. Esse pensamento é o maior gerador de preconceitos.
Meu protesto é uma forma de dizer que sou contra cultuar valores de consumo iguais para as mulheres. Tenho uma lista de desejos, adoro consumir, mas pra ser sincera, dos dez blogs que vi ( de moda, decoração e etc) que diziam os sonhos de ” toda mulher”, nenhum deles expunha verdadeiramente sequer um de meus sonhos consumistas.
Hoje somos maioria nas universidades, escolhemos nosso carro, profissão, e, devemos ter o direito de ser exatamente quem queremos ser. Vamos decidir nossos destinos, respeitando a liberdade e democratização da informação e da moda, sem dizer o que faz TODA mulher feliz.
Beijos com carinho
Liah Carvalho
(aquela que não acha que você é igual a todas).